sexta-feira, 3 de setembro de 2010

À Noite

Ela fechou os olhos
Imersa num sonho largo
Ali mesmo, no escuro espaço
dentro do seu pensamento amargo
Na verdade, nem tirou os sapatos

Sua íris ja brilhava há dias
Não segurava mais sua agonia
Não sabia onde as lágrimas guardar
No coração de moça, ja não cabia
O que não sabia como chorar

Finalmente rendeu-se a guria
ao sono mais esperado
quando o seu âmago, mais que esgotado
já nem nas lágrimas se exprimia
quando já chamava de comapanhia
O escuro denso e pesado

Negou-se à doentia rotina
À vida insana e seu ritmo mesquinho
Entregou-se à necessidade de ser menina
De dormir de novo como um anjinho
Nos braços macios da noite

E no seio que a desmama
Aprende que a sina de quem vive
Só nos permite ser livre
Ali na solidária cama
Onde choramos os nossos melindres

Por Paula Lucchesi