Um dia sonhei com um castelo
Onde moravam todos os meus sonhos
nas paredes, fotos das minhas ilusões
O que aos meus olhos não poderia ser mais belo
Andei por cada canto e vi de tudo
Vi coisas que chorara e que sorrira
O castelo simplesmente contava mudo
cada coisa que um dia eu já sentira
Por incrível não me sentia em casa
Fiquei cara a cara com minhas feridas
Senti-me completa estranha, intrometida
Naquele recanto com toda a minha vida
Exposta em prateleiras decoradas.
Despercebida encontrei uma preferida
Porém essa não estava exposta
Nela não parecia haver resposta
Pras minhas milhares de interrogações contidas
Era a única memória escondida
Porém entre tantas obras mortas
Era a única que aprecia ter vida.
Por Paula Lucchesi
sábado, 8 de janeiro de 2011
domingo, 2 de janeiro de 2011
O que não entendo, não importa.
Sou filha da liberdade
Sou mãe dos meus próprios sonhos
mais que nua, sincera me esponho
Grito na rua a nova verdade
Com toda a compostura à parte
Descomponho o que se chama de arte
e isso não é só questão de opinião
A roda que roda viva
que vive por idéias loucas
constrói-se com palavras poucas
mais que um sonho proibido
eu grito mais que pela liberdade
mais que pelo entendimento
grito pela autonomia
grito pelo movimento
grito com o cabelo ao vento
o sonho que não deixo esquecer
pois não se perde o brilho nos olhos
quando se encontra uma razão pra viver
nessa complexa vida autodestrutiva
não quero viver pra sempre
mas quero estar sempre viva.
Por Paula Lucchesi
Sou mãe dos meus próprios sonhos
mais que nua, sincera me esponho
Grito na rua a nova verdade
Com toda a compostura à parte
Descomponho o que se chama de arte
e isso não é só questão de opinião
A roda que roda viva
que vive por idéias loucas
constrói-se com palavras poucas
mais que um sonho proibido
eu grito mais que pela liberdade
mais que pelo entendimento
grito pela autonomia
grito pelo movimento
grito com o cabelo ao vento
o sonho que não deixo esquecer
pois não se perde o brilho nos olhos
quando se encontra uma razão pra viver
nessa complexa vida autodestrutiva
não quero viver pra sempre
mas quero estar sempre viva.
Por Paula Lucchesi
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
La liberté est bleu

Liberdade não é o que se cria,
sim o que se nasce
E o homem que desfaz-se
da liberdade vazia
Solidão da independência
Prisão interna
O homem preso à consciência
sua inimiga eterna
Em seu primeiro momento
chega a ser um grito forte
Com toda a força de seu intento
que grita "independencia ou morte"
Bloqueia a si mesmo o pensamento
Do que será depois da sorte
A liberdade é azul
Cor primária e fria
É mais do que a ousadia
de um momento de êxtase
e agora, por quem choras ?
És simplesmente livre de tudo
Estas solitário contudo
e agora, porque chorarias ?
Azul é o vazio
é o neutro, é o espaço
que fica após o cansaço
de finalmente ser livre
Das tuas referências vãs
De tudo que ja não se vive
O homem em suas atitudes sãs
Está condenado a ser livre.
Por Paula Lucchesi
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
À Noite
Ela fechou os olhos
Imersa num sonho largo
Ali mesmo, no escuro espaço
dentro do seu pensamento amargo
Na verdade, nem tirou os sapatos
Sua íris ja brilhava há dias
Não segurava mais sua agonia
Não sabia onde as lágrimas guardar
No coração de moça, ja não cabia
O que não sabia como chorar
Finalmente rendeu-se a guria
ao sono mais esperado
quando o seu âmago, mais que esgotado
já nem nas lágrimas se exprimia
quando já chamava de comapanhia
O escuro denso e pesado
Negou-se à doentia rotina
À vida insana e seu ritmo mesquinho
Entregou-se à necessidade de ser menina
De dormir de novo como um anjinho
Nos braços macios da noite
E no seio que a desmama
Aprende que a sina de quem vive
Só nos permite ser livre
Ali na solidária cama
Onde choramos os nossos melindres
Por Paula Lucchesi
Imersa num sonho largo
Ali mesmo, no escuro espaço
dentro do seu pensamento amargo
Na verdade, nem tirou os sapatos
Sua íris ja brilhava há dias
Não segurava mais sua agonia
Não sabia onde as lágrimas guardar
No coração de moça, ja não cabia
O que não sabia como chorar
Finalmente rendeu-se a guria
ao sono mais esperado
quando o seu âmago, mais que esgotado
já nem nas lágrimas se exprimia
quando já chamava de comapanhia
O escuro denso e pesado
Negou-se à doentia rotina
À vida insana e seu ritmo mesquinho
Entregou-se à necessidade de ser menina
De dormir de novo como um anjinho
Nos braços macios da noite
E no seio que a desmama
Aprende que a sina de quem vive
Só nos permite ser livre
Ali na solidária cama
Onde choramos os nossos melindres
Por Paula Lucchesi
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Pausa para reclamações, despeitos e recalques.
"Sem que tivesse que explicar
Não queria explicar mais nada
O basta bastava mesmo
Era mais que suficiente
dessa vez era diferente
desas vez era de verdade
Dessa vez eu virei as costas
dessa vez eu não ligo mais
dessa vez é do jeito certo
que fique pra traz o que eu deixo pra traz"
É sábado a tarde
passou a emoção de sexta
acabaram-se as decisões de ultima hora
porque a hora e esta
Ja deu tempo de lembrar de ontem
Já deu tempo de fazer as unhas
Já deu tempo de quase tudo
Só guardo o tempo pra depois
E nada de decidir
e nada de me aprontar
Vejo que há duas estradas
Chamo o taxi na porta de casa
"É agora" penso
Passo a escolha adiante
Deixo-me em campo neutro
Neutralizo as opiniões constantes
Armo com perfeição a minha própria desilusão
Apenas a noite de sábado
A noite passa por mim
Vou dormir pensando
"Acabou, amanhã é domingo
Não vou mais pensar nisso
Até sábado que vem falta muito"
Domingo nasce com o gosto de sábado
A falta de vontade de levantar pra vida
Mas a consciencia de que quanto mais se demora, pior se fica
Domingo prefiro nem contar
como passa o dia
colora as linhas de cinza e é suficiente
mais do que uma explicação
Domingo a noite pode ser cortado
Porque não passa nada na televisão
Vou dormir e penso
"ufa, passei por mais um
amanhã ja é segunda-feira
ja da pra segurar melhor"
pior do que a semana inteira
é um fim de semana só.
(Por Paula Lucchesi)
Não queria explicar mais nada
O basta bastava mesmo
Era mais que suficiente
dessa vez era diferente
desas vez era de verdade
Dessa vez eu virei as costas
dessa vez eu não ligo mais
dessa vez é do jeito certo
que fique pra traz o que eu deixo pra traz"
É sábado a tarde
passou a emoção de sexta
acabaram-se as decisões de ultima hora
porque a hora e esta
Ja deu tempo de lembrar de ontem
Já deu tempo de fazer as unhas
Já deu tempo de quase tudo
Só guardo o tempo pra depois
E nada de decidir
e nada de me aprontar
Vejo que há duas estradas
Chamo o taxi na porta de casa
"É agora" penso
Passo a escolha adiante
Deixo-me em campo neutro
Neutralizo as opiniões constantes
Armo com perfeição a minha própria desilusão
Apenas a noite de sábado
A noite passa por mim
Vou dormir pensando
"Acabou, amanhã é domingo
Não vou mais pensar nisso
Até sábado que vem falta muito"
Domingo nasce com o gosto de sábado
A falta de vontade de levantar pra vida
Mas a consciencia de que quanto mais se demora, pior se fica
Domingo prefiro nem contar
como passa o dia
colora as linhas de cinza e é suficiente
mais do que uma explicação
Domingo a noite pode ser cortado
Porque não passa nada na televisão
Vou dormir e penso
"ufa, passei por mais um
amanhã ja é segunda-feira
ja da pra segurar melhor"
pior do que a semana inteira
é um fim de semana só.
(Por Paula Lucchesi)
antes o sofrimento legítimo que o prazer forçado.
“Com a mão direita ele segura o ferro que fazia as flamas crescerem. A mão esquerda, a livre, estava ao alcance dela. Lori sabia que podia toma-la, que ele não se recusaria; mas não a tomava, pois queria que as coisas “acontecessem” e não que ela as provocasse. Ela conhecia o mundo dos que estão tão sofridamente à cata de prazeres e que não sabiam esperar que eles viessem sózinhos…. Porque nela a busca do prazer, nas vezes que tentara, lhe tinha sido água ruim: colava a boca e sentia a boca enferrujada, de onde escorriam dois ou três pingos de água amornada: era a água seca. Não, havia ela pensado, antes o sofrimento legítimo que o prazer forçado. Queria a mão esquerda de Ulisses e sabia que queria, mas nada fez, pois estava usufruindo exatamente do que precisava: poder ter essa mão se estendesse a sua.”
(Clarisse Lispector- O livro dos prazeres)
(Clarisse Lispector- O livro dos prazeres)
terça-feira, 1 de junho de 2010
Dezembro
Na noite intragável
o ar quente sufoca
madrugada instável
O ponteiro se desloca
passam horas, passam dias
que tenho feito à mim?
me preparo para o novo
ou me preparo para fim?
vejo a arte da janela
o desenho se desmonta
vejo a sombra vejo a vela
de um navio que aponta
em dezembro á beira mar..
O sonho que me desperta
que se desperta em mim
o som da janela aberta
o frio do vento, o fogo carmim
vejo ainda a parte mais bela
de um filme de amor
por desacato, choro em despeito
do amor que não é pra mim
em dezembro, a beira-mar
o tempo engole
frio a seco
me descarta, à pedido
Em teus olhos, há perdido
um encanto por desprezo
Canto à noite, canto ao dia
molho os pés num frio riacho
nas asas do vento, me despacho
desapareço por um dia
de dezembro,à beira-mar.
(Por Paula Lucchesi)
o ar quente sufoca
madrugada instável
O ponteiro se desloca
passam horas, passam dias
que tenho feito à mim?
me preparo para o novo
ou me preparo para fim?
vejo a arte da janela
o desenho se desmonta
vejo a sombra vejo a vela
de um navio que aponta
em dezembro á beira mar..
O sonho que me desperta
que se desperta em mim
o som da janela aberta
o frio do vento, o fogo carmim
vejo ainda a parte mais bela
de um filme de amor
por desacato, choro em despeito
do amor que não é pra mim
em dezembro, a beira-mar
o tempo engole
frio a seco
me descarta, à pedido
Em teus olhos, há perdido
um encanto por desprezo
Canto à noite, canto ao dia
molho os pés num frio riacho
nas asas do vento, me despacho
desapareço por um dia
de dezembro,à beira-mar.
(Por Paula Lucchesi)
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