terça-feira, 1 de junho de 2010

Dezembro

Na noite intragável
o ar quente sufoca
madrugada instável
O ponteiro se desloca
passam horas, passam dias
que tenho feito à mim?
me preparo para o novo
ou me preparo para fim?
vejo a arte da janela
o desenho se desmonta
vejo a sombra vejo a vela
de um navio que aponta
em dezembro á beira mar..
O sonho que me desperta
que se desperta em mim
o som da janela aberta
o frio do vento, o fogo carmim
vejo ainda a parte mais bela
de um filme de amor
por desacato, choro em despeito
do amor que não é pra mim
em dezembro, a beira-mar
o tempo engole
frio a seco
me descarta, à pedido
Em teus olhos, há perdido
um encanto por desprezo
Canto à noite, canto ao dia
molho os pés num frio riacho
nas asas do vento, me despacho
desapareço por um dia
de dezembro,à beira-mar.

(Por Paula Lucchesi)

Um comentário:

  1. Você veste de graça e beleza sentimentos que eu tenho vergonha de confessar. Adorei isso:
    vejo ainda a parte mais bela
    de um filme de amor
    por desacato, choro em despeito
    do amor que não é pra mim

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